Mas não estou aqui para desanimá-las e sim para encorajá-las a não desistir do sonho de ser mãe.
É normal sentir medo, somos humanas e foi assim que Deus nos fez, o medo serve para ficarmos alertas, temos que usar o medo a nosso favor, então vamos buscar ajuda de um profissional que abrace a nossa causa, que nos oriente, que nos tranquilize, que tenha realmente interesse em nos ajudar em nosso desejo de ser mãe.
Apesar de confiar no meu médico, depois do segundo aborto eu procurei outro profissional para uma segunda opinião, é sempre bom pesquisarmos como outros profissionais trabalham, se são atenciosos, se estarão acessíveis quando precisarmos de ajuda, isso faz toda diferença, principalmente em casos especiais como o nosso. Algumas mulheres levam uma gravidez muito tranquila, outras precisam de cuidados médicos especiais, então fique atenta pois nunca sabemos o que podemos ter que enfrentar.
Depois do primeiro aborto, fui a consulta com meu obstetra e ele me aconselhou a esperar 3 meses para uma nova tentativa, me receitou um complexo com ácido fólico e me deixou bastante esperançosa sobre uma segunda gravidez.
Esperei 4 meses e usando a ajuda o aplicativo MEU CALENDÁRIO (post aqui) na primeira tentativa, consegui o meu positivo. Meu médico já havia deixado a secretária avisada de que se eu ligasse marcando consulta era pra me "encaixar" o quanto antes, e assim marquei minha consulta e comecei novamente minha jornada de consultas com o obstetra.
Fiz minha primeira ultrassonografia com 9 semanas e foi emocionante ver a minha bebê tão pequenina se mexendo e ouvir aquele coraçãozinho bater tão rápido e tão forte, é a melhor música para os ouvidos!
Tudo estava indo muito bem, a bebê estava crescendo assim como a minha barriga. Os três primeiros meses foram muito difíceis por conta do medo, eu tinha medo de tudo, medo de perder, medo até de andar muito, qualquer fisgada já era motivo de eu entrar em pânico, muitas vezes chorei apavorada porque tinha medo o tempo todo de perder novamente. Perdi meu primeiro bebê com12 semanas e enquanto não passaram essas semanas eu não me acalmei, só depois da 13ª semana respirei aliviado e mesmo assim ainda tinha medo de ir ao banheiro, medo de olhar para a calcinha e ter sangue, mas estava mais tranquila sabendo que as chances de aborto haviam diminuído significativamente.
Comecei a fazer listas do que comprar para o enxoval, assisti vários vídeos no youtube sobre o que as mamães compravam e o que não era tão necessário, pesquisei móveis para o quartinho do bebê, escolhi o protetor de berço nas duas opções porque não sabia o sexo ainda, enfim, minha vida girava em torno dessa gravidez, tudo era para o bebê!
Mais ou menos na 18º semana comecei a sentir sutilmente ela se mexer, na primeira vez fiquei apavorada, eu estava sozinha em casa a noite e por pouco não chamo minha sogra... rsrsr... minha barriga endurecia muito e fazia uma bola e as vezes mudava de lado, foi quando percebi que era apenas minha bebê dando o ar da graça e logo me acalmei e enchi de felicidade. Foi muita emoção, e depois disso comecei a perceber principalmente de manhã quando acordava, então meu passatempo favorito era ficar deitada com a mão na barriga esperando ela se mexer, era fantástico!
No dia 6 de outubro de 2015 comecei perceber uma leve pressão no baixo ventre, perguntei às mamães no trabalho se aquilo era normal e me disseram que era o bebê que estava crescendo e se mexendo, tentei me tranquilizar para não afetar o bebê. A noite sonhei que eu estava com uma menina prematura nos braços, ela estava com uma roupinha rosinha e eu estava muito preocupada porque ela havia nascido e eu ainda não tinha comprado o enxoval, de manhã contei o sonho para meu esposo e fiquei muito feliz sobre a possibilidade de ser uma menina. Fui trabalhar e comentei com uma amiga sobre o sonho, mas aquela pressão para baixo não havia passado, fiquei preocupada e disse para minha chefe que ligaria para meus pais para me levarem no hospital, logo em seguida minha mãe me ligou perguntando se estava tudo bem e eu disse que queria ir no hospital tirar essa dúvida, então prontamente meu pais chegaram no meu trabalho e fomos ao hospital.
Chegando lá pedi que ligassem para o meu médico, mas a recepcionista disse que primeiramente eu seria atendida pelo plantonista. Entrei no consultório, contei o que estava sentindo e ele pediu para me examinar. Deitei e quando ele me examinou, já disse que havia alguma coisa errada, nesse momento meu coração disparou, a enfermeira tentou me acalmar, ele pediu o espéculo pra visualizar e disse que era grave pois o bebê havia descido pelo canal da vagina.
Eu comecei a chorar, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Ele disse que eu teria que me internar imediatamente, e que iria fazer uma ultrassonografia para saber a situação do bebê.
Fiquei internada, e infelizmente não houve ultrassonografia nenhuma, cheguei no hospital mais ou menos as 11 da manhã, e passei o dia todo esperando num quarto sozinha com a minha mãe, à noite na troca de turno das enfermeiras, uma delas na porta do quarto falou o meu quadro para as que estavam entrando, ela disse: Regina Sousa, ameaça de aborto! Eu tentei manter a calma, porque em todo tempo eu queria preservar minha bebê, mas foi revoltante passar o dia todo esperando ser feito algo e simplesmente me deixarem sem respostas num quarto, sem saber o que iria acontecer, porque até então, eu achei que com repouso e medicação eu conseguiria levar minha gravidez adiante sem maiores problemas, e ouvir a frase AMEAÇA DE ABORTO, foi terrível, ninguém me explicou nada, o médico não foi claro comigo, não disse que eu não teria chances, ninguém me preveniu de que eu iria ter um parto prematuro.
Quando já era bem tarde da noite eu estava com muita vontade de fazer xixi, levantei e imediatamente escorreu um liquido transparente pelas minhas pernas, clamei a Deus preocupada, percebendo que as coisas estavam fora do meu controle. De tanto minha mãe insistir a enfermeira chefe foi ao meu quarto, levou o aparelho para ouvir o coração do bebê e tentou me tranquilizar, ela disse pra eu ficar calma para não afetar o bebê, não sei se foi melhor ou pior, pois foi a ultima vez que ouvi aquele coraçãozinho batendo. Mais tarde perto de meia noite, comecei sentir dores, minha mãe chamava o médico, chamava as enfermeiras, mas ninguém ia no meu quarto. As dores foram aumentando e percebi que eram na verdade contrações, pois iam e voltavam, e cada vez mais fortes. Depois uma outra enfermeira foi ao meu quarto e ao invés de um conforto ela disse: É assim mesmo, vai doer bastante! E deixou o quarto.
As dores eram tão forte que eu não conseguia me segurar na cama, e comecei a chorar alto, quase gritando de dor e mesmo assim ninguém foi me ajudar, era apenas eu e a minha mãe.
Não demorou muito e ouvi um estouro, a bolsa havia rompido, nesse instante nenhuma esperança ficou, eu tinha mais que certeza que não havia mais nada a ser feito a não ser esperar para "nascer". As dores persistiram, mas não duraram muito porque logo senti minha bebê sendo empurrada pra fora, eu não fiz esforço nenhum, não empurrei, porque na verdade não é isso que queremos nesse caso, queremos que fique, mas infelizmente tinha que ser assim, a natureza se encarregou de tudo.
Minha mãe saiu correndo chorando pelo corredor do hospital dizendo que havia nascido, e logo meu quarto se encheu de enfermeiras curiosas, inclusive o médico, minha filha morta se tornou uma "atração", todos queriam ver o bebê de 20 semanas. Uma das enfermeiras que me ajudou perguntou se eu sabia o sexo, e eu disse que não, foi quando ela disse: Era uma menina! Foi uma mistura de sentimentos, de perda e de alegria, porque era exatamente o que eu queria, uma menina, a minha menina!
A levaram para examinar, e fiquei no quarto sem bebê, enquanto novas mamães circulavam pelo corredor com seus bebês eu estava num quarto sozinha, perdida, perguntando pra Deus o porquê de tudo aquilo.
A enfermeira chefe voltou e perguntou se eu queria ver a bebê, no meu desespero eu disse que não, que não suportaria, ela perguntou novamente, mas eu realmente não tinha coragem de vê-la. Depois disso eu me arrependi profundamente, me senti culpada, injusta de não querer me despedir, mas hoje eu vejo que foi melhor assim, porque eu jamais esqueceria da imagem dela tão pequena e saber que estava morta. Foi melhor assim!
No outro dia, fiz ultrassonografia pra saber se seria preciso fazer curetagem e sim, foi necessário. Quando chegou a hora da curetagem, foram me buscar no quarto e naquele mesmo corredor lembrei da primeira vez que segui em direção aquela sala e desabei chorando, a enfermeira tentou me acalmar, mas era como se ela nem estivesse ali, me senti sozinha, confusa, triste.
Deitada na mesa para a curetagem, o anestesista colocou algo no meu nariz e disse: vc vai sentir um soninho! E apaguei! Não vi mais nada, quando acordei estava numa outra sala, já conhecida da outra curetagem. Logo me pegaram e levaram para o quarto. Naquele dia, uma senhora que havia feito uma cirurgia de retirada do útero estava no quarto, recebi muitas visitas e isso é muito importante! Dormi mais uma noite no hospital e no outro dia a tarde recebi alta.
Fui para a casa dos meus pais para receber os cuidados da minha mãe, mas tudo o que eu queria era ficar sozinha, durante o dia me distraía com as visitas que foram frequentes, mas a noite batia a solidão e eu chorava a noite toda, e orava e perguntava porque Deus havia permitido que eu perdesse outro bebê.
Meu corpo entendeu que eu havia tido um bebê e dias depois comecei a produzir leite, meus seios encheram, ficaram duros e eu pesquisei que seria bom enfaixá-los para que o meu corpo entendesse que não era pra produzir mais. Então tomei o Dostinex, um remédio para secar o leite, continuei enfaixada por mais uma semana que foi o tempo que levou para secar totalmente. Foi outro momento difícil, ter leite e não ter minha bebê nos braços para amamentar... são detalhes que não são ditos para nós, apenas vamos descobrindo com o passar dos dias, uma pena! Entrei e saí do hospital sem informações, sem saber o que fazer, sem saber o que aconteceria depois.
Fiquei 15 dias afastada do trabalho e 10 na casa de meus pais, mas foram uma eternidade, apesar de todo cuidado, atenção, carinho, era como se ninguém pudesse me ajudar, me sentia invisível, e nada trazia paz o meu coração. Sofri muito nesses primeiros dias, só Deus sabe o tamanho da minha dor e foi Ele me ajudou a atravessar esse deserto.
Voltei no meu obstetra e ele me explicou o que havia acontecido. Ele me explicou que tenho o chamado "colo fraco". O colo deve permanecer fechado até o parto, mas quem tem esse problema, o colo abre com o peso do bebê, justamente nessa época, no 4º ou 5º mês de gestação. E foi isso que aconteceu, minha bebê estava crescendo e o meu colo abriu, ela desceu pelo canal da vagina e é impossível continuar a gestação fora do útero, a acidez da vagina faz com que a bolsa estoure e o bebê "nasça". Infelizmente não tem como prever, só descobrimos essa "falha" quando perdemos. Agora minha orientação é esperar a próxima gravidez e com mais ou menos 10 semanas me internar e fazer um procedimento chamado "cerclagem uterina" que nada mais é que um ponto no colo do útero para que ele não abra com o peso do bebê assim a gravidez evolua.
Hoje fazem 6 meses que eu perdi minha segunda gravidez, mas nunca perdi as esperanças. Creio que Deus tem algum propósito em minha vida nesse sentido. Sei que Ele tem o melhor e o tempo certo para todas as coisas.
Sei que novamente não será uma gravidez fácil, pois como já mencionei, o medo vem pra tirar nossa paz, mas quero usar o medo a meu favor, me cuidando, seguindo a risca tudo o que o obstetra pedir. E além do apoio médico, sei que posso contar com as forças do meu Deus, Ele é o meu criador e conhece muito bem o meu corpo e pode me curar, tudo é para a glória d'Ele! Sei que Deus tem sempre algo maravilhoso reservado para nós. Não vamos chorar para sempre, Deus vai nos honrar! Creia! Como diz minha avó, tudo isso é experiência! Tudo vai passar, vamos ser agraciadas pela herança do Senhor, pelo prêmio que Ele nos dá!
Sejamos firmes, não podemos desanimar. Deus é Aquele que realiza sonhos, devemos apenas confiar e esperar o tempo certo de Deus.
E você? Já passou por alguma experiência parecida? Deixe nos comentários, teria todo prazer em saber.
Quero muito em breve estar contanto minha experiência com meu bebê nos braços. Eu creio!
Que Deus nos ajude em tudo. Deus abençoe sua vida. Estarei orando por vocês!
Tudo estava indo muito bem, a bebê estava crescendo assim como a minha barriga. Os três primeiros meses foram muito difíceis por conta do medo, eu tinha medo de tudo, medo de perder, medo até de andar muito, qualquer fisgada já era motivo de eu entrar em pânico, muitas vezes chorei apavorada porque tinha medo o tempo todo de perder novamente. Perdi meu primeiro bebê com12 semanas e enquanto não passaram essas semanas eu não me acalmei, só depois da 13ª semana respirei aliviado e mesmo assim ainda tinha medo de ir ao banheiro, medo de olhar para a calcinha e ter sangue, mas estava mais tranquila sabendo que as chances de aborto haviam diminuído significativamente.
Comecei a fazer listas do que comprar para o enxoval, assisti vários vídeos no youtube sobre o que as mamães compravam e o que não era tão necessário, pesquisei móveis para o quartinho do bebê, escolhi o protetor de berço nas duas opções porque não sabia o sexo ainda, enfim, minha vida girava em torno dessa gravidez, tudo era para o bebê!
Mais ou menos na 18º semana comecei a sentir sutilmente ela se mexer, na primeira vez fiquei apavorada, eu estava sozinha em casa a noite e por pouco não chamo minha sogra... rsrsr... minha barriga endurecia muito e fazia uma bola e as vezes mudava de lado, foi quando percebi que era apenas minha bebê dando o ar da graça e logo me acalmei e enchi de felicidade. Foi muita emoção, e depois disso comecei a perceber principalmente de manhã quando acordava, então meu passatempo favorito era ficar deitada com a mão na barriga esperando ela se mexer, era fantástico!
No dia 6 de outubro de 2015 comecei perceber uma leve pressão no baixo ventre, perguntei às mamães no trabalho se aquilo era normal e me disseram que era o bebê que estava crescendo e se mexendo, tentei me tranquilizar para não afetar o bebê. A noite sonhei que eu estava com uma menina prematura nos braços, ela estava com uma roupinha rosinha e eu estava muito preocupada porque ela havia nascido e eu ainda não tinha comprado o enxoval, de manhã contei o sonho para meu esposo e fiquei muito feliz sobre a possibilidade de ser uma menina. Fui trabalhar e comentei com uma amiga sobre o sonho, mas aquela pressão para baixo não havia passado, fiquei preocupada e disse para minha chefe que ligaria para meus pais para me levarem no hospital, logo em seguida minha mãe me ligou perguntando se estava tudo bem e eu disse que queria ir no hospital tirar essa dúvida, então prontamente meu pais chegaram no meu trabalho e fomos ao hospital.
Chegando lá pedi que ligassem para o meu médico, mas a recepcionista disse que primeiramente eu seria atendida pelo plantonista. Entrei no consultório, contei o que estava sentindo e ele pediu para me examinar. Deitei e quando ele me examinou, já disse que havia alguma coisa errada, nesse momento meu coração disparou, a enfermeira tentou me acalmar, ele pediu o espéculo pra visualizar e disse que era grave pois o bebê havia descido pelo canal da vagina.
Eu comecei a chorar, não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Ele disse que eu teria que me internar imediatamente, e que iria fazer uma ultrassonografia para saber a situação do bebê.
Fiquei internada, e infelizmente não houve ultrassonografia nenhuma, cheguei no hospital mais ou menos as 11 da manhã, e passei o dia todo esperando num quarto sozinha com a minha mãe, à noite na troca de turno das enfermeiras, uma delas na porta do quarto falou o meu quadro para as que estavam entrando, ela disse: Regina Sousa, ameaça de aborto! Eu tentei manter a calma, porque em todo tempo eu queria preservar minha bebê, mas foi revoltante passar o dia todo esperando ser feito algo e simplesmente me deixarem sem respostas num quarto, sem saber o que iria acontecer, porque até então, eu achei que com repouso e medicação eu conseguiria levar minha gravidez adiante sem maiores problemas, e ouvir a frase AMEAÇA DE ABORTO, foi terrível, ninguém me explicou nada, o médico não foi claro comigo, não disse que eu não teria chances, ninguém me preveniu de que eu iria ter um parto prematuro.
Quando já era bem tarde da noite eu estava com muita vontade de fazer xixi, levantei e imediatamente escorreu um liquido transparente pelas minhas pernas, clamei a Deus preocupada, percebendo que as coisas estavam fora do meu controle. De tanto minha mãe insistir a enfermeira chefe foi ao meu quarto, levou o aparelho para ouvir o coração do bebê e tentou me tranquilizar, ela disse pra eu ficar calma para não afetar o bebê, não sei se foi melhor ou pior, pois foi a ultima vez que ouvi aquele coraçãozinho batendo. Mais tarde perto de meia noite, comecei sentir dores, minha mãe chamava o médico, chamava as enfermeiras, mas ninguém ia no meu quarto. As dores foram aumentando e percebi que eram na verdade contrações, pois iam e voltavam, e cada vez mais fortes. Depois uma outra enfermeira foi ao meu quarto e ao invés de um conforto ela disse: É assim mesmo, vai doer bastante! E deixou o quarto.
As dores eram tão forte que eu não conseguia me segurar na cama, e comecei a chorar alto, quase gritando de dor e mesmo assim ninguém foi me ajudar, era apenas eu e a minha mãe.
Não demorou muito e ouvi um estouro, a bolsa havia rompido, nesse instante nenhuma esperança ficou, eu tinha mais que certeza que não havia mais nada a ser feito a não ser esperar para "nascer". As dores persistiram, mas não duraram muito porque logo senti minha bebê sendo empurrada pra fora, eu não fiz esforço nenhum, não empurrei, porque na verdade não é isso que queremos nesse caso, queremos que fique, mas infelizmente tinha que ser assim, a natureza se encarregou de tudo.
Minha mãe saiu correndo chorando pelo corredor do hospital dizendo que havia nascido, e logo meu quarto se encheu de enfermeiras curiosas, inclusive o médico, minha filha morta se tornou uma "atração", todos queriam ver o bebê de 20 semanas. Uma das enfermeiras que me ajudou perguntou se eu sabia o sexo, e eu disse que não, foi quando ela disse: Era uma menina! Foi uma mistura de sentimentos, de perda e de alegria, porque era exatamente o que eu queria, uma menina, a minha menina!
A levaram para examinar, e fiquei no quarto sem bebê, enquanto novas mamães circulavam pelo corredor com seus bebês eu estava num quarto sozinha, perdida, perguntando pra Deus o porquê de tudo aquilo.
A enfermeira chefe voltou e perguntou se eu queria ver a bebê, no meu desespero eu disse que não, que não suportaria, ela perguntou novamente, mas eu realmente não tinha coragem de vê-la. Depois disso eu me arrependi profundamente, me senti culpada, injusta de não querer me despedir, mas hoje eu vejo que foi melhor assim, porque eu jamais esqueceria da imagem dela tão pequena e saber que estava morta. Foi melhor assim!
No outro dia, fiz ultrassonografia pra saber se seria preciso fazer curetagem e sim, foi necessário. Quando chegou a hora da curetagem, foram me buscar no quarto e naquele mesmo corredor lembrei da primeira vez que segui em direção aquela sala e desabei chorando, a enfermeira tentou me acalmar, mas era como se ela nem estivesse ali, me senti sozinha, confusa, triste.
Deitada na mesa para a curetagem, o anestesista colocou algo no meu nariz e disse: vc vai sentir um soninho! E apaguei! Não vi mais nada, quando acordei estava numa outra sala, já conhecida da outra curetagem. Logo me pegaram e levaram para o quarto. Naquele dia, uma senhora que havia feito uma cirurgia de retirada do útero estava no quarto, recebi muitas visitas e isso é muito importante! Dormi mais uma noite no hospital e no outro dia a tarde recebi alta.
Fui para a casa dos meus pais para receber os cuidados da minha mãe, mas tudo o que eu queria era ficar sozinha, durante o dia me distraía com as visitas que foram frequentes, mas a noite batia a solidão e eu chorava a noite toda, e orava e perguntava porque Deus havia permitido que eu perdesse outro bebê.
Meu corpo entendeu que eu havia tido um bebê e dias depois comecei a produzir leite, meus seios encheram, ficaram duros e eu pesquisei que seria bom enfaixá-los para que o meu corpo entendesse que não era pra produzir mais. Então tomei o Dostinex, um remédio para secar o leite, continuei enfaixada por mais uma semana que foi o tempo que levou para secar totalmente. Foi outro momento difícil, ter leite e não ter minha bebê nos braços para amamentar... são detalhes que não são ditos para nós, apenas vamos descobrindo com o passar dos dias, uma pena! Entrei e saí do hospital sem informações, sem saber o que fazer, sem saber o que aconteceria depois.
Fiquei 15 dias afastada do trabalho e 10 na casa de meus pais, mas foram uma eternidade, apesar de todo cuidado, atenção, carinho, era como se ninguém pudesse me ajudar, me sentia invisível, e nada trazia paz o meu coração. Sofri muito nesses primeiros dias, só Deus sabe o tamanho da minha dor e foi Ele me ajudou a atravessar esse deserto.
Voltei no meu obstetra e ele me explicou o que havia acontecido. Ele me explicou que tenho o chamado "colo fraco". O colo deve permanecer fechado até o parto, mas quem tem esse problema, o colo abre com o peso do bebê, justamente nessa época, no 4º ou 5º mês de gestação. E foi isso que aconteceu, minha bebê estava crescendo e o meu colo abriu, ela desceu pelo canal da vagina e é impossível continuar a gestação fora do útero, a acidez da vagina faz com que a bolsa estoure e o bebê "nasça". Infelizmente não tem como prever, só descobrimos essa "falha" quando perdemos. Agora minha orientação é esperar a próxima gravidez e com mais ou menos 10 semanas me internar e fazer um procedimento chamado "cerclagem uterina" que nada mais é que um ponto no colo do útero para que ele não abra com o peso do bebê assim a gravidez evolua.
Hoje fazem 6 meses que eu perdi minha segunda gravidez, mas nunca perdi as esperanças. Creio que Deus tem algum propósito em minha vida nesse sentido. Sei que Ele tem o melhor e o tempo certo para todas as coisas.
Sei que novamente não será uma gravidez fácil, pois como já mencionei, o medo vem pra tirar nossa paz, mas quero usar o medo a meu favor, me cuidando, seguindo a risca tudo o que o obstetra pedir. E além do apoio médico, sei que posso contar com as forças do meu Deus, Ele é o meu criador e conhece muito bem o meu corpo e pode me curar, tudo é para a glória d'Ele! Sei que Deus tem sempre algo maravilhoso reservado para nós. Não vamos chorar para sempre, Deus vai nos honrar! Creia! Como diz minha avó, tudo isso é experiência! Tudo vai passar, vamos ser agraciadas pela herança do Senhor, pelo prêmio que Ele nos dá!
Sejamos firmes, não podemos desanimar. Deus é Aquele que realiza sonhos, devemos apenas confiar e esperar o tempo certo de Deus.
E você? Já passou por alguma experiência parecida? Deixe nos comentários, teria todo prazer em saber.
Quero muito em breve estar contanto minha experiência com meu bebê nos braços. Eu creio!
Que Deus nos ajude em tudo. Deus abençoe sua vida. Estarei orando por vocês!
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Gente, chorei aqui. Suas palavras são bem intensas e precisas.
ResponderExcluirEu sou mãe, quando estava com 9 semanas tive um descolamento de placenta me fazendo ficar de repouso absoluto por dias, minha filha nasceu com 36 semanas após dois dias de contrações e graças a Deus deu tudo certinho. O medo existe em todas as etapas, enquanto eu não tive ela em meus braços vivia com medo e depois de nascida o medo continuou a insistir pela fragilidade.. Atualmente ela tem 1a e 7m e só de uns 2 meses pra cá eu relaxei um pouquinho.
Minha flor, com fé você vai conquistar a maternidade, Deus sempre tem planos maiores para nós e se você passou por tanto com toda certeza lá na frente a sua vitória será muito maior que isso! Você será uma mãe fabulosa e sua criança terá sorte demais por isso.
Se cadastra no fórum do babycenter, lá tem tentantes muito simpáticas e muitas dicas!
Eu antes de engravidar, comi muito inhame.. Minha avó já dizia que ele ajuda rs, vale a dica né?
Beijinhos.
www.devaneiosdabella.com.br
Amém, Bella! Eu creio que os planos de Deus são maravilhosos. Ele permite a dor não para nos matar e sim para que possamos crescer. Ele sabe de todas as coisas e tem o tempo perfeito para cada um de nós. Em breve estarei contanto minha experiência como mãe, com meu bebê nos braços e grata a Deus pela vitória!
ExcluirJá sou cadastrada no Baby Center desde 2014 quando engravidei pela primeira vez. To sempre de olho no que as mamãezinhas estão comentando por lá.
Agradeço a vc por ter tirado um tempinho pra ler um pouco da minha história e por sua sensibilidade.
Um grande beijo!
Tive 3 abortos um sem cerclagem e dois com cerclagem todos com 5 meses. A por é terrível sinto seja chão, sem vontade de nada, está muito difícil.
ResponderExcluirMeu Deus! Não é nada fácil, querida! A dor do luto é terrível! Só quem já passou sabe como nos sentimos.
ExcluirMas Deus é o dono do milagre, Ele pode realizar o desejo do nosso coração em carregar nosso bebê nos braços! Creia!